l 
@ela Vista.MT. 29 /E/Y972 
Diretor: IVALD0 PEREIRA 
Redator Responsóvel: Dr EU A BARBOSA 
N. 19 
O rara$o da carne fechou hoje com a 
seguinte cotacão 
Boi Gordo Friworificos 
o 
Bourdon (C. Grande) 
Sadia (Maringá) 
DA CARNE» 
Cr$ 3,40, o quilo 
3,30. o quilo 
, 	, _ 
O Dec~eto Lei 11. 1192-de 8 de novembro 
de 1971 cria o Programa do Desenvolvimen­ 
to do Centro-Oeste(Prodoeste), que beneficia­ 
ra a ma1or parte dos Municípios Matogros- 
,s~nses. _A construçao de uma Rêde Rodoviá­ 
ria básica, conjugada a um sistema de Es­ 
tradas Vicinais e a uma Rêde de Silos Ar­ 
mazéns, Uzinas de benefieiamentos e Frigo· 
rificos, bem como a realização de obras de 
:saneamento geral, retificação de curso de 
água e recuperação de terras. Este o obje­ 
tivo do prodoeste. Reconhecemos e elogia­ 
mos .a mc1g0Jrica idéia de dotar os Estados 
de Mato Grosso e Goias, de um projeto di­ 
nam1co, que carretnrá o desenvolvimento glo­ 
bal, de uma vastíssima Hegião. ·Mas, Sr. Go­ 
:vernador José FragE:Ili, confiamos no seu- Go- 
vêrno, estamos prontos para divulgar seus bons 
propósitos, mas nossa esquecida e desligada 
.Bela Vista , não p:11·ticipa do Prodoeste. 
~r. Governador, no ato da· inauguração da 1. 
Exposição e Feira de Amostras, seu mui 
digno r~presentante sentiu a pujança e von .. 
tade de nossa gente, viu de perto o valor do 
homem Bela vistense, tenho certeza levou pa­ 
·ra Cuiabá o entusiasmo e hospitalidade da 
"Rainha do Aoa". 
Sr. Governador, nós não aceitamos o iso­ 
·laménto, estamos habituados à poeira do ca­ 
minho, nosso olhos ardem: Agora QUEREMOS 
COLIRIO. Bela Vista, possue um excelente re­ 
banho ·-sovino, temos .Caieira5, possuimos Sr. 
Governador·, um recanfo maravilhoso, palco 
histórico, águas medicinais, que é o Balneá­ 
rio Apa, precisamos modernizá-lo, construir 
cabines ériar condições para o Turismo, sim 
Turistas Paraguaios, e de outras Cidades cir­ 
cun vizinhas, que movimentarão a nossa 
Bela Visto.. 	. 
Sr. Governador',. nossa Cidade é portão 
de entrada, por obrigação tem de ser a 
"menina dós olhos", é Fronteira, é exemplo 
· Por qüé·o • desumano esquecimento? soluçoe.!'··· 
cada Povo, cada Cidade tem sua solução, 
queremos a nossa. Turismo, temos o Apa, 
Caieiras. Agricultura e Pecuária. Nosso Mu­ 
nicípio está ligado .ª Jardim, Ponta Porã,. 
Caracol (estada ruim mas devagar chega) e, 
. pleiteamos • uma vicinal ligando Murtmho_ a 
Bela Vista, .através da fazenda Margarida. 
Idéias apenas idéias, que se. materializem 
é nosso desejo. 
inze mil brasileiros com vontade 
$9%2%.G4r, ãé tomar arte na age­ 
da.na a e par d a ·uctar a constrmr o _novo 
gão de Progresso !~'ia Vista, Brasil, não 
B	r a	s i l , m as nós aq~I ôtos _ E	n	e r gi	a 	- Telefone 
temos rede d~ E~g Científico (é incl"ivel ter­ 
iteruban9 -,,"$,r e iomisl e n4o ter­ 
mos Ginásio o"%,ento, e nosso cinema... 
mos cientifico] calçai 
bem, deixa para lá. · . 
(Continua na última página) 
10 No ícias Que Valem Manchete 
1 ASSUNÇAO (AFP]- os trabalhos da comissão mista paraguaio­ 
brasileira para o futuro aproveitamento hidroelétrico do Rio Para­ 
ná.tJ"estão indo muito bem" afirmou chefe da delegação brasileira. 
general Ary Borges Fortes, após uma audiência com o presidente 
Stroessner, no palacio do governo. 
Borges Fortes chegou inesperadamente a Assunção na semana 
passada para conferenciar com o presidente da Republica e afir­ 
mou que provàvelmente terá novo encontro o assunto, que visa 
basicamente á construção de uma hidroelétrica nos Saltos de Guai- 
ra (Sete Quedas)~ 	. . 
Acredita-se que a hidroelétrica poderá ter sua construção ini­ 
ciada em 1975, apesar dos problemas a serem enfrentados, princi­ 
palmente com a Argentina. e as injunções politicas internas no 
Paraguai. • 	• 
2-MENINGITE - Isolamento do agente causador da meningite 
amebiana foi anunciado por dois médicos de Adelaide, Austrália. 
Drs. Kelvin· Anderson e Adele .Jamieson, do Instituto de Clínica 
Médica e Veterinária da Austrália do Sul, descobriram o protozoá­ 
rio em amostra de água de Port Augusta. A doença tem caráter 
endêmico Iioa surtos de calor. (O Globo - do Rio) 
3-CORAÇAO - ' Vida. sexmJ.1 ativa ajuda o homem a viver mais 
tempo e sem probl~mas cardíacos, porque o ato sexual é bom remé­ 
dio para o· coração.'' Essa em resumo a tese do dr. Scheimann, 
em New York, publicada na edição de abril de Forum. O médico 
está divulgando pesquisas a respeito. Segundo ele, o ato sexual 
não sobrecarrega o coração, pois o obriga a bombear mais sangue 
por curto período de tempo e depois descansar. [JB - do Rio) 
4 - Tancredo Neves é o novo chefe do departamento de • Relações Publi­ 
cas do Banco Mercantil de Minas Gerais. 
5- Com o objetivo de aumentar a oferta de alimentos para o rebanho nor­ 
destino, a Superintendência da Sudene assinou convênio com o governo do Rio 
Grande do Norte e a Associação Nordestina de Credito e Assioteneia Rural da• 
quele Estndo, A oferta de· alimentos será majorada através da instalação de 
campos de multiplicação de forrageiras exóticas, .nos -nunicipfoo nortc-rio-gran- 
. densea onde houver maior destaque da pecuaria. 
6 - Os depósitos do Banco do Estado de São Paulo. S.A, atingiram em 30 
de junho ultimo Cr$ 2.984.305.718,42 no Pais que somados aos depositos da agên­ 
cia de Londres totalizara Cr$ 3.5 bilhões. O lucro liquido do Banespa, neste 
primeiro semestre. foi da ordem de Cr$ 83,4 mil_hões, dos quais Cr$ 3Q milhões 
serão distribuídos como dividendos, à razão de 15% a . a . sobre o capital de 
Cr6 400 milb ões. • 
7 . Foi bastante aplaudido pelos participanteé da reunião de alto nivel da 
FAO em Londres o filme planejadô e produzido pelo Ministerio da Agricultura 
que mostra as técnicas brasileiras de inspeção pré e post abate do gado de 
corte bovino. O filme foi elaborado sob orientação do ar. José Cristovam San­ 
tos, técnico do Ministerio do Agricultura em São Paulo e visa o enaino de fu­ 
turos teonioos. 
1 
8-OEOGRAFOS ADVERTEM - Durante o lll Encontro de Secretario de E­ 
ducação promovido na semana finda em Curitiba pelo MEC. foi d!stribuido u­ 
ma promocão mimeografada de um documento elaborado no I Encontro Nacio­ 
nal de Geógrafos realizado em Presidente Prudente (1 a 8 do corre-nte) e subs- 
crito por 327 professores de geografia de todo o pa!s. O documento "alerta as 
autoridades competentes para os prejulzos que advirão em futuro proximo à 
formação de n o s	o s jovens, à s estruturas universitárias e 	à s organizações geo...- 
gráficas de cunho cientifico, da continua desvalorização, da ensino de geogra­ 
lia em nlvel dos atuais 1.o e 2.o graus". 
9-A diretoria do Banco de Brasil autorizou um empré1timo àe Cri :_g, mi-1 
lhõos para Companhia Agricola de Sergipe, destinado à compra de tratores 
e implementos para reforçar o seu parque mecanizado. A operaçio [oi enqua­ 
drada no programa de ineentivo ao uso de fatores teenico■de produtiTfdade 
agropecuária, do Proterra, • por isso o financiamento ser a longo prazo e ju- 
r2o subsidiado. 	. ' 
t~ANBSTKSIA - No Ho■pital Keoker, em Paris, prof. Couvelalre, rologis­ 
ta operou oito ,paciente, JlO mesmo dia, usando pela primeira vez anestesia e­ 
léíriaa. Foi anuíiciado que a 11.ova téonica elimilaa 01 illeonTeaientH ela• uea­ 
tesia comum, [O Globo - do Rio de Janeiro] 
r tosse.e

íl h 3 
Muito sucesso, gente 
:-ia sr.mau d 	esriobando 
do A, a o aniversário d R ' 
pa. 	a ainha 
Sôbre a Expos· .• 
só um· f • içao 
O 
comentário é 
• o1 um SU total! , 
Baile do, dia 19 no Belavistense 
muito badalado: bastante gente bonita 
e elegante. 
Soltando Labaredas estava Baile 
do dia 20. incendiou! 
. . Por lá notei: Jacinto-Nice: Moraes­ 
}Jzabete; Edson-çeéijia; _cáriido-4ir; 
J 
1
~,y.is~Ana, Késro - Maria Margâreti 
aCIra. 
. . Também os casais: Carlinhos-Bea­ 
tr1z, •. B1rro:-Tecla;. Marçolla-Zélia;. Mana­ 
ce-Nice; Sra .. _e Sra, Sidney Mascare­ 
nhas; Sr. e Sra. _Amauri Mascarenhas; 
sr. e sra. Salvador Assis. 
,• 
Esnobando.um longo rosa, bastan­ 
te allnhado estava a srta. Elizabete 
Pinlieir8. _: . • · • : 
-- 29de julho de '97» 
---- ·• - .. - . - •----·-··-. __ . --·-••_--- -·.•·-: 
... , ' . . - 
Circulando entre nós· Adernar Zé- 
. . . . . ,. . . 	'. 
ca,; Zé_ Geraldo, Helinho, Aurora, San- 
dra, Leila, Kaito, Antonieta, Marilza, 
Gilca, • Marta, Geraldo, e os irmãos Ocá­ 
riz da Rosa. 
E s e u t 3 
Brasinb.a desta vez; vendo faíscas . . 	, 
os muita gente de: .Jardim. Murtioho, 
G,:1.racol, Bonito, Guia Lopes, Ponta Po­ 
ra, Aquidauana, Campo Grande, Doura­ 
dos, Curitiba, S. Paulo e Rio circula­ 
ram, mas foi impossivel anotar todos, 
mesmo assim, a vocês que nos visita­ 
ram vai mil abraços em BRASA. tá? 
Boite La Barranca, dia 23 pegan­ 
do fogo! animado por um conjunto 
Paraguaio. • 
Notei- & Anotei: sr. e sra. Pêgo 
Loureiro; sr. e sra Antonio Urbieta; 
João Carlos Maria Rita; Genil-Enoly; 
sr. e sra. Hélio Loureiro; Mário Lourei­ 
ro e sua simpática noiva. 
Ainda: Madalena Murano; Marcelo; 1 
Solange, F1avia, Cristina, Maria das '------------------!! 
Graças, Ritoca, Rosalva. 
Linda Como sempre a "cocadinha" 
Márcia Gabinio! 
As elegantes da semana: sra. Ma­ 
ria Loureiro; sra. Cecilia Moraes; sra. 
Elizabete Moraes; srta, Mariângela Pal­ 
miéri, sra. Hair Pinheiro e sra. Zulema. 
Loureiro e srta Elizabet Pinheiro. 
. 
Casal da semana: Mariléa Szchlata e ... 
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Tríbuna da Frunteirn 
------- ···---- _ ... __ -----• -·--·----~- 
29 de julho de (972 
_____ .. - -- -- -----=== ----------~--'---'---'-- 
e 1 b r a 
pagina 2à 
--=--· ---- -- -- ,___ ....=..,..=e= ~ ---~ --===-:=•·:,=:~- - -· -- ------ 
Ç-0 
, _Estava eu po.sto em sossego como 
disse o poeta, c0nversaocto com o Chi­ 
co Papagaio, quando entrou abrupta­ 
mente n<J bal'raco, denuba.nd·J cadeiras, 
quebrando um vaso de flores e derra­ 
mando uma lata de querozene com um 
safanão, o molçque Pichito. 
• Co'Il tanto barulho e diabrura nao 
podia ser outro. A autazinha sarará, 
ri~to da M11rieta, depois desse estrago 
todp, cqnseguiu equilibrar um prato, 
onde hàvia • unia bela fatia de doce. 
Arquejando, falou: <cVovó mandou.,, Di­ 
to isso, deixou no meu colo o pirex 
de doce·. e partiu como um . sopro de 
diabinho, 'terreiro afora. Chico Papa­ 
gàio. • l'iu: goàtosàmente, sübfndo e des- • 
cendo o pronunciado gogó. como tecla­ 
do de má.quina de escrever, igual. bem 
igualzinho o elevador do Lacerda,·· da 
capital baiana., que transporta gente 
da cidade baixa para a cidade alta. O 
apelido de .Chic_o Papagaio não é mui­ 
to_ próprio a quem- é ·magro como um 
estilete, cuja quantidade de carne não 
dá para·encher um croquete, quem é 
rn~is _; m4gr"o-· q_ue, um peixe;· quem cer­ 
ta_ vez na Bahia arranjou emprego de 
esqueleto para es,tudante ver, na Fa­ 
culdade de Medicina no dizer de Ma­ 
rieta. O gogó do Chico é termometro 
das suas emoções. Sobe e desce mode­ 
radamente,· na tristeza e rápido na so­ 
nora __ gargalhada de· alegria. Pele quei­ 
mada, cor de rapadura de mamão, ga­ 
nhoú 'esse apelido· no Exército. É cabo 
reservista do tempo _do,caqui. Bahiano 
de nascimento, serviu ao Exército, em 
Salvador, onde foi ordenança de um 
coronel. O velho Coronel'tinha um pa­ 
págaio falador, que cumprimentava to­ 
do mundo pelo ·-nom·e, e era o xodó de 
sua,esposa velha matrona, natural' de -Umpoucomelhor minha madrinha. 
Chiqüé'Çhfqué, lugar dé onde trouxera 
o;tal biéhiho, presente. de sua irmã. Uma bruma espessa envolveu-me 
Ora, o ·Tl.licf> ··-enfi'>'tl na .cabeça. que -ti- • ,nesse instante. ·e fiquei ··sonhando· de 
. nha de ser promovido a cabo, porém ·olhos abertos. Olhando e não vendo. Ou- 
das .letr.a8 eteraú iótmigo. não conse-· vindo e não escutando· Parado. Pensa- 
guia:, a1pnnçár - seu, objetivo. Mas, tinha samento voando. Nada eu via. Só via mi- 
um p~st~Uv. fort~ ..:- o·papagaio._ Ensinou • nha doce madrinha Rita;· no - seu vesti-:- 
com-pac_•.êúci-a d bichinho dizer: «Coro- do longo e de anquinhas, com sua al- 
neJ, prori;ldve·' o· Chico à Cabo.» Coro- tivez de nobre senhora, seu porte de 
nel,.-::õ ,Qfü~o ''. .quer ser cabo». o- velho . ~1nhâ de casa Grande, lencinho renda· 
soldado,esquecia suas preocupações'e do à mão, passeando pelo alpendre da 
a sua asma, rindo da piada e artimanha fazenda. Bela Vista -faz ·hoje cinqúenta 
do Chico. Tempo depois, antes de mor- e quatro anos. Mentira. Errado. Bela 
rer, ainda viu o Chico ostentar o posto • Vista: faz anos com minha madrinha. 
de· :a:n,sp~çaq~ e depois do l cabo. Dàí o _ Ela é parte de sua história. Seus filhos, 
apeJ!,do· ~- .9-b:iç_o _-PlÍpagaio~ •• - • .- - - • -· • seus netos, bisnetos, ajudaram e tudo 
. O doce estava uma delicia. Marieta • · _ fazem _para .agradecer o nome da nos­ 
chama essa torta tle «Peito de Virgem». sa terra .. : Acordei com úni:__- _ puxão da 
Maldosamente explica: E branco de uma Marieta. Dali fomos ver a Exposição. 
pureza angelical, .tem leite escondido,: Sucesso dos Sucessos. Lá estava o 
meio duro e posto na boca, .aos poucos, Afonso laçandó..O' pavilhão·do João 
é gostoso de machucar Negra sem ver-; Pinheiro e do.Eudo.O Candido num 
gonba...Se querem saber, como se faz, sorriso_ único. e constante e outros mais. 
copiem ao.que. consegui Em todos eles êsfa@minha madrinha. 
tirar de um:caderno da negra, àsves- Adeus madrinha Rita,{Abenção para 
condidas, pois não dá:essa receita a este seu afilhádo,que ·se • orgulha de 
ninguém, nem prá remédio. "Seis fo-:· você - e de Bela Vista.Vocês duas são 
Ibas de gelatina _ bra_ncas derretidas, uma só. _ São irmãs gémeas. Aceite da- 
s e.,,::; - clàras, de ovo , batidas - em ponto · qu1 um.,abi:•ço►)lqµ,elejlbraço,- deste seu 
de suspiro, seis colheres, de açúcar" velho humilde e: reumático sfilhado 
reftíáá6íi '6o@ 'rãiád@'e ó óííéido "2. ' 
de uía lata de creme de leite. Mi@tu- PÉ D" CHIN"LO. 
i-e tudo if;SO e leve à geladeira, em 
congelar. Está pronto o Peito de Vir­ 
gem. Poucas pessoas em ! Bela Vista 
gozam da atenção da Marietu, com um 
pedaço de doce. Não é para qualquer 
pessoa, que dá o seu agrado, que ba­ 
lança seus cento e vinte quilos no pre­ 
paro de salgados e doces: que abre; a 
beiçola num largo sorriso. Nada disso, 
calada e turrona, seu sorriso não é da­ 
do,- é vendido ao preço de uma since- 
ra amizade. Também não derrama lâ­ 
grimas fâcilniente~ Chora mais de ale­ 
gria do que de pesar. Pur falar em lágri­ 
mas, outros dià, disseram, que esta colu- 
na devia chamar-se Toca da Saudade e 
não Aquele Abraço, porque sempre cho- 
ro e sempre falo do_ passado. Disseram, 
até meu reumatismo é motivo de recor­ 
daçfi,o- Ora, o m_oço vive do futuro, o ho 
mem maduro do presente e o velho do 
paHsado. E um retorno àjuventnde, é um 
novo encontro com os bons momentos 
vividos. Os inomentos tristes, as doloro­ 
sas recordações, devem ser sepultados, 1 
sem direito a ressurreição. Vivo no pas­ 
sado porque só me lembro dos bons a­ 
migos, dos momentos felizes, das horas 
alegres. Abri esse longo pareilteais, por­ 
que fui no dia aniversário da cidac.le, vi­ 
sitar minha madrinha Rita. A vovó 
Rita dos Loureiros jovens. Com cento 
e dois anos, ainda mantem grandes 
rasgos de lucidez. Por ela fui batizado 
e minha mãe foi ama de leite de um 
de seus filhos. Não sei se do Athanazio 
ou da Gloria. 
-Benção minha madrinha. 
-Deus te abençõe, cerno vai o reu- 
matismo? 
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EXPEDI 
.OUIJ 
ENTE 1 
F2CEI 
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EALIDADE 
E difícil saber por que uma pessoa 
se suicida, mas para a Dra. Marguerite 
Quidu. do Hospital Psiquiátrico de Quim 
per, Paris, há duas hipóteses: 1. diante 
da deterioração de seu relacionamen­ 
to com pessoas queridas, ela decide 
romper também com o mundo; 2: an­ 
gustiada, eia procura se refugiar na 
morte, não pelo desejo real de morrer 
mas para fugir a uma situação que lhe 
parece insuportável. 
EXPLICAÇÃO - Nesse primeiro ca­ 
so, o candidato ao suicídio espera que 
o destino .decida se deve ou não mor­ 
rer, acreditando que se sobreviver, as 
pessoas queridas se reaproximarão. Se­ 
gundo Dra. Quidu, essas duas hipóte­ 
ses não se excluem mutuamente, pois 
é preciso considerar que o suicídio ob­ 
jetivamente rotura do vínculo inter-hu­ 
mano, marca. o limite extremo dos es­ 
forços de preservação desse mesmo 
vínculo. 
Pesquisa do Dr. J. Richam com 46 
pacientes hospitalizados após tentativa 
de suicídio revelou s e i s t i p 08 
le atitudes do suicídia com relação à· 
sua família: 1. a tentativa de suicídio 
representa esforço para resolver ten­ 
são' familiar intolerável; 2. representa 
o reconhecimento da inutilidadd dos es­ 
forços para se tornar independente e 
separar-se da família: 3. o suicídio é 
meio para recuperar status na família 
4. é esforço para manter status ame­ 
açado [por divórcio, por exemplo); 5. 
muitas vezes, só por ocasião da ten­ 
tativa de suicídio é que se descobre 
situação familiar confusa; 6. finalmen­ 
te, o suicídio pode ser expressão de 
desespêro pela perda de ente que­ 
rido. 
Outro dado particularmente signi­ 
ficativo é o exame das mensagens dei­ 
adas pelos suicidas, lembra a Dra. Qui­ 
du. Geralmente elas exprimem um des­ 
tes três sentimentos; angústia (não pos­ 
so mais) culpa (perdoem-me] ou soli­ 
dão (e ninguém se importará). Apa­ 
rentemente o .suicida ao procurar dar 
cabo da vida, tem em mente apelo ao 
próximo. 
._ 	_ 
Letra-te @te o Munaicíis Precisa Crescer. Pague 
eu Eia Ians impactes 
---------------- 
Penso' nos dias passados, nas lu­ 
tas, no prazeres, nas mágoas e na fe­ 
licidade. Começo a procurar o que iA 
não existe, o sol que já não se escon­ 
de por que a prima vera igualmente se 
foi. 
Como a mocidade passa e deixa 
pelos caminhos os restos de uma espe­ 
rança. Dentro da noite que nos leva às 
trevas de uma longa e penosa escuri­ 
dão, revejo as ilusões de outrora, acom­ 
panho os sonhos que tive. 
Tudo passou. e passou rápido, Sem 
bem dar-me tempo de gozar como 
quisesse os dias cheios de sol e ternu­ 
ra cheios de amor e ingenuidade. 
Eu era criança, tudo caminhava 
como que num sôpro de· vento, mas 
êsse vento não tardou que mudasse 
de • rumo tocado pelo destino. 
S6 DEUS, Éste não se afastará de 
mim, sinto-O na força total de seu calor 
e de Sua realeza. 
I a promessa que não falha, a ilusão 
que não morre. 
Guardo-o no peito em silêncio e 
mansamente sigo o meu caminho sem 
receio da velhice, sem temor da outra 
vida.· 
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29 de julho do 1072 
====-===== 
E S S a S E O U T R $ 
E notável a animação de que está 
possuida a maior· parte de nossos ami­ 
gos _d'qui, com a melhoria fisionomica 
de Tribuna da Fronteira e as Suas for­ 
te8 doses de otimismo que lança em 
suas_eolunas todos os domingos. 
E' isso mesmo A gente tem que 
dar de. si. Fazer alguma cousa 
O Jornal está fazendo as dele. Pre­ 
~a: aos quatro ventos, ensina como se 
I<iz promoção de tudo. 
No começo era a EXPOSIÇAO: 
Tempo resiguo, dúvidas no apôio maci­ 
ço do povo e dos empresários, finan­ 
ças· a zero, como começar, discussões 
buscando a fórmula que finalmente foi 
encontrada graças ao dinamismo e 
compreensão de cidadãos compenetra­ 
dos dos deveres em beneficio-de muitos. 
Que sucesso o ,que maravilhosa 
demonstração de coragem e otimismo, 
não na construção daquilo que se vê 
no recinto da Exposição, .mas naquela 
oQnfiança que vivi.ficou e cresceu no 
espirito de solidariedade do povo bela­ 
vistense que deu seu apoio incondicio­ 
nal a iniciativa, que sempre exposou 
as boas causas e não faltaram empre­ 
sários, empreoas e firmas comerciais 
duqui mesmo e as vindas de fóra pa­ 
ra abrilhaniarem aquela "feata" de to­ 
dos. As barracas, fervilhantes de gente. 
O programa festivo, ótimo para o gos­ 
to dos presentes. 
Aquêles gauchos !! Notáveis. 
O receio do começo, transforman­ 
do em formidável realizacão. 
Um espetáculo inolvidável. 
Para frente homens da Comissão 
Organizadora. 
Mal acaba essa e já o seu Ivaldo 
lança o 1 "FESTIVAL DO CHOPP". Oh! 
chopp é comigo. 
Vamos moçada, a promoção é boa 
e não deixa dúvidas, será um sucesso 
também. 
Clube do Laço 
JOTA-JOTA 
Desde a criação do nosso Clube 
tinha o desejo de ocupar um espaço 
.na Tribuna da Fronteira. No entanto 
preferi calar o esperar pela chegada 
de nossos visitantes. ' 
tine Mi e alrimui la troa eis #si, 
. . ' 	. 
fs;exs q eia É&mtite cata vez reli.ar, 
F:. "T Menut é a Eselis te u ?swi" 
Foi um espetáculo realmente gran­ 
dioso quando confraternizaram Mato­ 
grossenses, Gaúchos e Paraguaios. Es­ 
sa foi uma pportunidade para Be con­ 
seguir pre~enciar apresentações tão 
bonitas!! 
Agradeço pela abnegação de pes­ 
soas que largaram seus compromissos, 
suas tarefas, para. vir de tão longe e 
causar tanta alegria ao Povo daqui. 
Abnegação, pois, quando para cá se 
dirigiram não foi com o intei"êsse de 
obterem algum lucro. 
Ali não há profissionais. Os que 
cantaram, os que trovaram. os laça­ 
dores e dançarinos tudo fizeram por 
simples camaradagem. Repito, ali não 
havia o interêsse especulativo. Não era 
uma carreira entre profissionais 0 Va­ 
lendo dinheiro. Não era a compra ou a 
venda de uma boiada, onde a desis­ 
tência de um ou de outro acarretaria. 
prejuizos econômicos, Era e foi uma 
brincadeira. 
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+ + + • 
···.··.". , •• , •• ?.,; ' • .,,._ • 
Por tanto meus parabéns pelo ges­ 
to altruista da Comissão julgadora e 
Direção do Clube do Laço, quando 
atenderam ao pedido do Dr. Fausto 
para retirar de sua equipe dois La­ 
çadores que não pretenciam a ela. E 
com um gesto desses que se demontra 
o espirito Hospitaleiro. Cedemos nossa 
parte, mas agradamos a êles que 
fizeram 2400Kms, viajando . dia e noite 
para nos apresentar alguma coisa do 
Folclore Gaúcho. • 
E ag·ora, 6ôbre o resultado da nos­ 
sa competição de brinquedo, vou dizer· 
o seguinte; êles deixaram em Bela Vis­ 
ta os troféus que simbolizam a Vitó­ 
ria, Porém, nos não ganhamos tudo .. 
Nos .também perdemos um troféu que 
êles levaram em suas Malas no bojo 
de suas,. cuias, na trança de seus laços, 
no■vers·os • de Adão Portela, na gaita 
do Valentim, no palheiro do Dr Fau8- 
to, enfim, dentro de todos êlee, que é 
o coração de cada Belavistense. 
• . Agradeço, nesta oportunidade, por 
todas as critica■que nos foram feitas, 
desde a criação do Clube, no sentido 
de nos orientar naquilo que estamos 
errado. Essas foram Construtivas. Tam- 
bem agradeço pelas criticas que leram 
motivadas peloCiume e pela Inveja 
pois elas que vieram de baixo nos fi­ 
zeram subir. mais ainda! 
• JOSE ALBERY MARÇOLLA 
"Patrão do Clube do Laçe" 
, ,

Tribuna da Frc,nleira 
29 de julho do 1972 . 
a - _ a 	a -- • 	• 	-·· ·• -- - 
Campo Grande, por Augusto Nu­ 
nes, de "0 Estado de S. Paulo' '- As 
denúncias recentemente divulgadas 
pela oposição paraguaia, segundo as • 
quais obras do Departamento Nacional 
de Obras de Saneamento estariam di­ 
minuindo o volume do rio Paraguai e 
prejudicando· aquele país, foram rece­ 
bidas pelo governador de Mato Grosso 
,José Fr·agelli, com "perplexidade". 
Para o governador, que se encon­ 
tra em Campo Grande participando do 
I Encontro do PRODOESTE, as- quei­ 
xas têm cunho meramente político: ''Eles 
estão em mau estado psicológico, tal­ 
vez. alarmados diante das grandes ini- 
·ciativas do geverno brasileiro". 
A oposição paraguaia vem acusan­ 
do repetidamente. o Brasil de "imperia­ 
lismo", partindo da alegação de que 
as obras na· bacia hidrográfica do pan­ 
tanal mato grossense são contrárias aos 
interesses de. seu país. 
Como o rio Paraguai e alguns " 
afluentes serão represados em deter­ 
minados trechos, ocorreriam secas nas 
proximidades da froateira, segundo as 
denúncias. Fragelli contesta; "Se nos 
ativermos estritamente ao terreno téc­ 
nico, não compreenderemos as queixas 
dos paraguaios. E' importante acentuar 
que as obras vão desobstruir vários 
trechos hoje interrompidos aumentando, 
dessa forma, o volume das águas". 
.''Se houver redução no volume • 
ressalta o governador - isso ocorrerá em 
·i.,' 
território brasileiro. Podemos garantir 
que o rio Paraguai atravessará a fron­ 
teira com sua vazão plenamente nor­ 
malizada Achar que as obJ'as são pre­ 
judiciais é desconhecer seu conteúdo". 
De acordo com o projeto, o rio 
Cassange - hoje pràticamente interrom­ 
pido em alguns pontos • será inteiramen­ 
te desobstruído. permitindo o restabe­ 
lecimento da ligação entre os rios 
Cuiabá e Paraguai. 
''Para tornar possível a irrigação 
da área do rio Paraná, haverá uma pe­ 
quena comporta a certa altura do cur­ 
so do Cassange - esclarece o engenhei­ 
ro Clovis Nobre de Miranda, da Secre 
taria da Agricultura de Mato Grosso. 
Mas isso não significa que as águas 
serão desviadas, o que traria um evi­ 
dente desequilibrio ecológico". 
Também alguns trechos do rio Para­ 
guai serão desobstruidos - principalmen­ 
te entre Cáceres e Corumbá - possibili- 
· tando a implantação da navegação flu­ 
vial até a bacia do Prata. Consideran 
do as acusaçães paraguaias improceden­ 
tes, o Pn_genheiro acredita que os para­ 
guaios estejam influenciados pelas te­ 
ses do presidente Lanusse, da Argen­ 
tina. "De algum tempo para cá todas 
as obras do governo Brasileiro relacio­ 
nadas ao aproveitamento das bacias 
hidrográficas estão sendo chamadas de 
imperialistas". • • • • 
Transcrito do "0 Estado de Mato Grosso' 
E NL À N E T 
Coas Cape É&raie 
TEMA; {Camp Grale! sv passai, ses resests e suas gateras 
Para o /elhor Trabalho: Cr$$ 2.000,0O 
1e Classificado - Uma valiosa coleção da li­ 
teratura universal intitulada: Coleção dos Pré­ 
mios ·ovel da Literatura, ricamente encader­ 
nada, -em percalimr branca com 12 volumes. 
(doaçü, do joraalista Hélio Leite)- . 
2° Classificado - .. Uma. ric.a coleção de obras 
da literatura nacional, encadernação de luxo. 
3° Classifioado - Uma magnifica caneta Par- 
ker 6C .• .. 
• • OBSERVAÇÃO Haverá outros sete (7) prê­ 
mios para os seta trabalhos subsequentes, 
uma yez que serão selecionados 10 (dez) 
:este concurso literário coordenado pelo 
jornalista Hélio Leite tem por objetivo seleoio­ 
nar 10 (dez) trabalhos para elaboração. de uma 
pequena coletânea focalizando Campo Grande 
alta to • .arar « 
usfo de Se1ips 
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acional 
de: . Irmãos ·Escobar 
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Prestatividade integrado no/contexto Evolutivo 
'. • " 
: : ·. .' • , ! • : + ? • • ' • 
da Região • 
em diferentes formas. 
Para tôdas e quaisquor in[ormações, Ob 
interessados deverüo dirigir-se à Caixa postal 
cep 79,100 Campo Grande 711 • Mato Grosso. 
2egulamento 
u) Este concurso literário é de ílmbito nacio­ 
nal, podendo participar tôdas as categoriaa de 
classes de qualquer parte do território brasi­ 
leiro, inclusive estudantes dos niveis coleglals 
(1°. 2.
0 ciclos) quer dizer ginasial e cienlifico 
bem como universitários e professores, etc. 
b) Para participar do referido, o8 intere- 
8ados deverão dirigir-se ao J ornaliatn Hélic, 
Leite, no enderêço acima, solicitando suo. ina 
oriçllo e na oportunidade ser-lhe.-á remetido 
pelo Correio alguns materínl• impressos ou 
mimeografados com dados informativos sôbre 
Campo Grande para os interessados terem uma 
fonte inicial e dar começo ao seu trabalho, pa­ 
ra Isto, êles deverão remeter pelo Correio, em 
vale postai ou valor declarado a importânola 
de Cr$ 3,00 (tres) afim de atender às despesas 
de correio e do imprcssoo. 
e - O trabalho poderá ser em forma de PROSA 
ou VERSO. 
d - Os trabalhos deveriío ter no mfnimo 5 lnu­ 
das e no mft.ximo 15, datilografadas espaço dois 
(2), em três (3) vias, pap_el de oficio, ocupan­ 
do em oada fôlha, apenas um lado paru dati­ 
lografar os mesmos. 
e - Os trabrlhos premiados serão divulgadoe 
por ocasião das festividades do 150º Anivoraá­ 
rió da Independência do Brasil, ou sejn no 7 
DE SETEMBRO DE 1972 e serão olaasificadoo 
por uma comissão integrada por intelectuaio 
matogroaoensea, cujotJ nomes serão conhecidoa 
em agôato próximo. 
f - Os prêmioa achar-se-ão à disposição d 0 
mteressndos om verificar a seriedade dêste 
concurso a partir· de 30 de julho próximo, é - 
poca em que serão recolhidos até a data de- 
7 de Setembro, na residência do jornalista Hé­ 
lio Leite da S.Iva, à Rua Maracajú. 740 - fundos 
cep. 79 100 - Campo Grande - Mato Grosso e 
a importância (em dinheiro) de CrO 2.000 00 
(Dois Mil Cruzeiros) será depositada numa das 
agências doa Bancos locais em nome do refe­ 
rido concurso· à disposição exclusiva do ME­ 
LHOR TRABALHO, a quem oaberá sacar o de­ 
pósito, apóa conhecido o classificado, através 
de um cheque nominal ou vieaúo para outra. 
praça, se fôr a· caoo. 
g- São reservados à coordenadoria do con­ 
curso,· os direito de publicação dos trabalhoe 
classmoadoo. 
h - O prazo para entrega dos trabalhos iniciar­ 
se à 1° de agôoto e encerrará a 15 do mesmo 
mês. 
EDITORIAL (Continuação) 
Sr. Governador, nós temos vontade fêrreà.~ 
vontade que~,construiu um dos maiores parque; 
de Expooição do Sul do Estado, vontade de 
Querer e vnmoa colocar Bela Vista como eida­ 
de, para iaso temos a consciente liberdade 
disciplinada pelo direito de exigir, aquilo que 
é nosso progresso. Como disse o querido Pre- 
sidente Médtci: • • •. · 
TEMOS PRHSSA!ll 
BARRA" - CHURRASCARIA [ 
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